quarta-feira, 22 de julho de 2015

Somos educados para ser feliz?

Não necessariamente. Somos educados para "ganhar dinheiro", "vencer na vida", "ficarmos ricos", "ser bem sucedido", "ter sucesso"... Não é um erro buscar estabilidade e segurança financeira, é um erro crer que esse deva ser o caminho da Educação.

Quando criança o indivíduo vai para a escola com o objetivo de aprender. Aprender a se sociabilizar, mas acima de tudo para absorver conteúdos que o ajudarão a ter as melhores notas, o "melhor desempenho", ser o melhor. Aprender a conviver socialmente não é a prioridade. O intervalo para esse momento é curto, pra não dizer curtíssimo. 30 minutos ou menos, para um recreio, com 10 dedicados ao lanche. Em sala de aula, nada de conversa e dependendo da brincadeira ela é direcionada pelos professores com foco no aprendizado técnico. Afinal os pais ou a sociedade no caso do ensino público, pagam para que a escola ensine. Ensine com maior tempo possível as disciplinas consideradas mais importantes, como Matemática e a língua materna. Os conteúdos de artes, filosofia, ciências naturais, sociais, história, geografia, religião ou língua estrangeira não recebem o mesmo valor. Basta pensarmos no aluno que não obtém bons resultados nas primeiras aqui citadas. Como ele é visto pela escola? E pela família?

A pressão no período de alfabetização é às vezes nocivo, com agressões psicológicas e emocionais a uma criança que talvez se sobressaia muito bem em outras áreas. O aluno que "não acompanha o rendimento da turma" passa a ser comparado negativamente aos demais, sofrendo e causando sofrimento aos familiares. O fator emocional é deixado em segundo plano, onde alguns educadores se alimentam do pensamento de que esse sofrer o fortalecerá na fase adulta. Será mesmo? Quantos indivíduos conhecemos onde as frustrações da infância foram os responsáveis por suas derrotas? Quantos adultos conhecemos com baixa auto-estima, elevado grau de ansiedade e insegurança, pelo mesmo motivo?

O maior problema nesse sentido está na situação que deveria melhorar com o passar dos anos, mas que no entanto só piora. Quanto maior a série, maior a quantidade de conteúdos e menor ainda os momentos pensados no aspecto emocional. Em algumas instituições, isso nem sequer é pensado. Afinal, vestibular e ENEM tornam-se mais importantes?!

O que dizer de um adolescente que afirma querer ser artista? Qual a reação quando um deles escolhe a medicina?

Na verdade está certo quem busca uma boa formação, errado é atribuir realização profissional a status ou dinheiro. Errado é não colocar a felicidade como meta na Educação.

Recentemente o site da BBC Brasil publicou uma matéria em que o índice de suicídio no Japão é preocupante. Cabendo a reflexão: Por que um país desenvolvido, com a Educação considerada de alto nível tem formado adultos que desistem de suas vidas? Por que um número tão grande de infelicidade?

Em tempos em que a Educação tem sido o foco das maiores discussões mundiais, é relevante que a  necessidade do ser humano em ser feliz, seja considerado. Muitos são os fatores que relacionam formação humana a satisfação pessoal.

No livro A Perversão Comum - Viver juntos sem outro, Jean Pierre Lebrun afirma que nossa sociedade vive uma crise de legibilidade de poder, onde disciplina e limite está sendo repensado. Pais, educadores e responsáveis não sabem a medida e o significado em se dizer "não". Lebrun também analisa a questão religiosa: "Hoje se Deus como instância reguladora tornou-se obsoleto para nos dizer o que somos, esse desaparecimento não nos autoriza a dispensar a negatividade que a Ele cabia corresponder e que tinhamos assim podido transmitir. O fim da estruturação religiosa do social de modo algum nos livrou da necessidade de reconhecer coletivamente a negatividade que nos constitui." Pensam alguns que estar livre de Deus, automaticamente nos livra de maiores problemas. É comum ouvirmos atualmente que  o ensino religioso não combina com a Educação.

É interessante ressaltar que na Finlândia, onde a Educação é considerada uma das melhores do mundo, o ensino religioso é obrigatório.

As siglas  a.C e d.C estão no livros de História Geral para que os alunos identifiquem um período histórico,  mas é dado a devida importância sobre o papel de Jesus para a humanidade? Fala-se muito em Paz como solução para os males do mundo e por que a resistência em estudarmos o pensamento do maior pacificador de todos os tempos? Por que Jesus é um tabu em salas de aula? É preciso apresentar os ideais de Jesus sobre um mundo mais humano e mais pacífico, com mais seriedade e propósito, ultrapassando dogmas e interesses religiosos. Ninguém mais que ele enfrentou um mundo tão violento, com tão grande honradez e exemplo de amor pelas pessoas, mesmo tendo sido traído e torturado.

Para pensarmos sobre isso, segue um trecho do livro O Mestre dos Mestres, Jesus - O maior educador da história do médico e psiquiatra Augusto Cury:

"Cristo tanto prevenia contra a ansiedade como discursava sobre o prazer de viver. Dizia: “Olhai os lírios dos campos” (Mateus 6:28). Queria que as pessoas fossem alegres, inteligentes, mas simples. porém, assim como seus discípulos, nós não sabemos contemplar os lírios do campos, ou seja, não sabemos extrair o prazer dos pequenos momentos da vida. A ansiedade estanca esse prazer. Apesar de o mestre da escola da vida discursar sobre a ansiedade e suas causas, sua proposta em relação ao sentido da vida e ao prazer de viver era tão surpreendente que, chocam a psiquiatria, a psicologia e as neurociências.


Ao longo de quase duas décadas pesquisando o funcionamento da mente humana, compreendi que não há ser humano que não tenha problemas no gerenciamento dos seus pensamentos e emoções, principalmente diante dos focos de tensão. O maior desafio da educação não é conduzir as pessoas a executarem tarefas e dominarem o mundo que as cerca, mas conduzi-las a liderar seus próprios pensamentos, seu mundo intelectual.

É possível ter status e sucesso social e ser uma pessoa insegura diante das contrariedades,  incapaz de gerenciar as situações estressantes. É possível ter sucesso econômico,  mas ser um rico pobre, sem o prazer de viver, de contemplar os pequenos detalhes da vida. É possível viajar pelo mundo e conhecer vários continentes, mas não caminhar nas trajetórias do seu próprio ser e conhecer a si mesmo. É possível ser um grande executivo e controlar uma multinacional, mas não ter domínio sobre os próprios pensamentos e reações emocionais, ser um espectador passivo, diante das mazelas psíquicas. "

Assim, educar nossas crianças para que sejam adultos felizes deve ser a meta da humanidade e buscar mecanismos para essa transformação, urge nos quatro cantos do mundo. 

Kelzer Albuquerque

#pensenisso
















domingo, 12 de julho de 2015

Qual seu papel na sociedade da qual você faz parte?

Uma das consequências geradas pela ausência de Educação é a marginalidade. E uma sociedade que negligencia a importância disso, sofre por isso. Basta olharmos para os países em que a Educação não é prioridade.

Já dizia Pitágoras: "Educai as crianças e não será necessário punir os adultos." Engana-se quem pensa que educar seja apenas papel do Governo, da Escola, dos pais ou responsáveis. Trata-se de uma consciência social. Cada cidadão pode contribuir para a formação de uma nova sociedade. Cruzar os braços ou apontar culpados não é uma atitude inteligente e o retorno por essa indiferença é danoso e algumas vezes irreversível. É preciso mudar nosso modo de ver mundo e acreditar na transformação do ser humano para melhor.  Não tá sendo suficiente somente pagar impostos ou educar seu filho.

Está fazendo menos que o mínimo quem olha para uma criança que "não é sua" e pensa: Não é meu filho, que me importa? Independente do nível social de cada uma, a sociedade tem exigido mais. A droga não chega apenas para o pobre. A violência também não. Tão pouco a prostituição, corrupção ou criminalidade. Todos somos vítimas e responsáveis por tudo que acontece ao nosso redor.

Seja você um agente transformador para mudar a realidade dos noticiários. Faça algo, mas faça! Leia para uma criança. Um livro de valor moral. Ajude uma instituição que abriga crianças excluídas. Doe além de uma contribuição monetária, doe amor. Se importe com uma criança que adquiriu o péssimo hábito de chamar palavrão. Olhe para o filho do vizinho como se fosse seu. Repense seu egoísmo. Ele pode se voltar pra você. Assim como o bem que você pode fazer também. Pense nisso!

terça-feira, 26 de maio de 2015

Educação para quem?

A LDB 9394/96 apresenta pela Constituição Federal, o direito de todos os cidadãos terem acesso a Educação. Consta que é dever do Estado uma educação pública e estabelece as responsabilidades entre a União, Estados e Munícipios. Pela Lei, no Brasil a Educação se divide em Educação Básica e Ensino Superior, propondo competências que cabe a cada setor responsável promover os meios para que a Lei seja cumprida. 

Infelizmente, a educação brasileira ainda apresenta muitos problemas que difere da proposta sugerida e do que seria o ideal de modelo educacional, contrariando o desenvolvimento e o alcance de metas que possibilitem concretizar avanços para o Brasil.
                                          
É certo que o processo educacional brasileiro, atravessou momentos negativos que trouxeram como consequências para o nosso presente, a herança de um sistema atrasado e com baixo rendimento em todos os aspectos. A educação iniciada pelos jesuítas e a escravidão possibilitaram por meio de dominação de classes, processos políticos que acarretaram ao país sequelas que até hoje ainda transcendem  pontos negros na nossa sociedade, como o analfabetismo, a  violência, má condição de infraestruturas nas instituições de ensino, dentre fatores econômicos insatisfatórios que permitam uma Educação eficiente.

Só após o século XX é que algumas mudanças positivas, embora ainda em baixas proporções, vieram a trazer progressos  que contribuíram para a inserção de cidadãos de classes menos favorecidas nos ambientes escolares, promovendo chances de melhorias ao país. Atribui-se também que a problemática para o progresso da educação brasileira ao longo da história, está relacionada a falta de interesse e compromisso com a importância que o tema é capaz de gerar em uma nação.

Assim, em nossos dias atuais é possível perceber, mesmo que teoricamente, uma linha de pensamento que propõe a Educação como a principal ferramenta para o desenvolvimento de uma sociedade. Nesse sentido, a busca de soluções tem gerado mecanismos que atentam para a necessidade do fortalecimento das relações entre população e Estado, visando a conscientização para uma garantia de resultados, onde todos possam fazer parte desse processo de mudança.

O desafio está em extinguir desigualdades e incorporar o cumprimento de respeito aos direitos humanos, assegurando exercício da cidadania para a sustentabilidade socioambiental, diversidade, inclusão e valorização aos profissionais da educação.

Seguindo essa linha de pensamento, pergunto: Pagar impostos é o suficiente ou existe algo que você pode fazer para melhorar nossa Educação?


sábado, 7 de março de 2015

Como uma fênix!


E nesse Dia Internacional da Mulher a minha homenagem é para essa guerreira, exemplo de determinação e resignação diante dos obstáculos que a vida impôs. Nascida em 1933, Maria de Lourdes, minha avó paterna, é entre as muitas mulheres que conheço um exemplo e a minha inspiração para esse texto hj, revelando que as dificuldades da vida não superam as alegrias e o amor pelas pessoas.

Filha de doméstica, conheceu o pai biológico quando adulta, tendo sido criada como filha pelos patrões de sua mãe.
Ano passado tive a oportunidade de bater um papo rico e divertido com essa senhora de 82 anos. Percebi naquele dia o quanto minha avó conservou jovialidade, se negando a parar no tempo e permitindo acompanhar as opiniões do mundo de hj. Se o assunto é religião, tranquilo! Seguindo sua fé no catolicismo, não importa qual seja a crença da pessoa, curte o papo numa boa, sem julgamento e imposições. Se a conversa enveredar pelo futebol, prepare-se! Ela pode te surpreender... Torcedora do Ceará,  é capaz de discutir com qualquer pessoa os rumos do seu time ou do adversário. Mas se o papo for "homem"! Haha! Belas gargalhadas! Que o digam suas netas, pq ela curte demais esse assunto.
Foram 52 anos de casamento e aqui pra nós, o vovô era um homem de muita personalidade. (Pra não dizer que as coisas tinham que ser do jeito dele, hehe!). E lógico que eu não poderia ter deixado de perguntar  quais os segredinhos pra tantos anos de convivência. Entre muitos risos, ela me disse que sempre deixou ele achar que estava no comando ( gente se ele escuta, kkkk!), aprendeu a não dar muita importância as divergências, como a bagunça que ele fazia em casa, em meio aos seus velhos sofás. Ri um bocado, mas sinceramente, acredito que o amor deles se fortaleceu com os obstáculos. Não que isso seja uma regra, mas no caso deles, foi preciso uma dose extra de companherismo.
Conheci 8 de seus filhos, um deles sendo meu pai. No ano que nasci, aos 15 anos eles experimentaram a dor da despedida pelo tio Antônio Tamandaré, falecendo de pneumonia. 36 anos depois, a dor se repete aos 81 anos e sem o seu companheiro, falecido em 2004. O outro Antônio, Antônio Carlos, um dos filhos caçula, que partiu vítima de leucemia. Mas essas não são as únicas de suas saudades... Entre os anos 50 e início dos anos 60 foram 12, isso mesmo! 12 filhos! Crianças que nasciam, cresciam, mas que não passavam dos 10 anos. Ela lembra de cada um, como e porquê faleceram, as idades, tudo. Todos foram vítimas de doenças e de uma época com altos índices de mortalidade infantil no Brasil. Imaginem vivenciarmos essa experiência com uma criança que amamos? Já ouvi muitas vezes a expressão "como é grande a dor de uma mãe ao perder um filho" e inclusive li de Augusto Cury um relato sobre a força de Maria de Nazaré pela partida de Jesus e de seu assassinato. 
Também não sei se é possível imaginar as dificuldades financeiras pelas quais minha avó passou. Devem ter sido muitas...
Isso poderia promover motivos pra ser uma mulher histérica, depressiva, amarga, insatisfeita ou algo do tipo, mas saibam que não foi esse o caminho por ela escolhido. Eu até brinco, dizendo que a vovó tem perfil de jornalista. Adora pessoas, conhecer pessoas, não no sentido de apenas ser apresentada, mas de se interessar pela vida de alguém, saindo de seu mundo e se dispondo a ajudar quem quer que seja. Além de pessoas, também é uma apaixonada por animais e cuida deles com devotamento e carinho. Ela é divertida, extremamente comunicativa, com uma memória melhor do que muita gente por aí. É afetuosa, generosa, acolhedora e óbvio que com toda a sua experiência de vida, decidida e de personalidade firme.
Para provar toda a sua garra, há exatos 40 dias está hospitalizada depois de um começo de AVC e erisipela, além da diabetes e hipertensão.  Nesse ínterim,  foram diversos procedimentos e nessa última semana momentos difíceis com hemorragia generalizada, infecção pulmonar, parada dos rins e duas paradas cardíacas por conta das hemodiálises que precisou ser submetida. Com o corpo cansado, ela permanece consciente, nos ensinando que a vida é muito maior do que as dores e que as alegrias superam tudo e qualquer tristeza.
E se hoje aqui escrevo, cheia de admiração é porque ela soube ensinar aos filhos, netos e bisnetos o real sentido da vida: Amar!



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

50 Tons de quê?

Nunca fui de absorver facilmente tudo que todos fazem ou gostam. Aprendi muito cedo que nossas escolhas precisam ser pautadas naquilo que nos faz bem. O que não quer dizer que já tenho escolhido errado. Claro que sim! Inúmeras vezes... Mas o que me impressiona nos tempos de hoje, são as nossas opções de escolha.
Acabei de ler uma crítica sobre o filme 50 Tons de Cinza e já havia lido outras sobre o livro. Pela sinopse nunca tive curiosidade ou vontade de conhecer. Ler pra mim é um prazer! Assim como ouvir música, dançar, comer, assistir filme, praticar sexo... Ops! Sexo? Exatamente! Sexo é uma forma de prazer.
Em tempos de que "tudo pode" e "tudo é permitido", ou quase tudo, conversar sobre sexo faz-se necessário. Na crítica que li a preocupação se dava para a receptividade dos jovens em relação ao filme. Mas por que apenas os jovens se falar sobre sexo ainda é uma problemática que atinge homens e mulheres independente da idade, opção sexual, crença e etc. Pelo que entendi o romance erótico traz a tona um universo real de homens e mulheres que sentem prazer pela dor. E isso não é ficção, é fato! Deve ser por isso que o título inclue a cor cinza...
Se buscarmos na história o sexo já foi considerado um erro (pecado), já esteve relacionado a rituais, já foi reprimido, já foi libertado, etc e tal. O meio social, a época, a cultura determinam modos de comportamentos. Houve um período e em alguns países ainda é assim, que sentir prazer sexual é um erro. Consequência de pensamentos religiosos rigorosos. Nesse sentido, a mulher no meu entendimento é a principal vítima desses processos. Lembro de ler em revistas da minha adolescência, reportagens sobre mulheres que nunca haviam atingido o orgasmo. Conheço histórias curiosas e ridículas sobre virgindade que nem vale a pena comentar.
O fato é que me chamou atenção o modo como essa ficção vem sendo encarada e apresentada. Considero o sadomasoquismo, assim como o sadismo um aspecto negro e não cinza como o romance pintou, dentro da óptica sexual. Concordo com quem afirma que está relacionado a um ato violento. E ninguém pode afirmar que amarrar, bater ou torturar seja algo pacífico. Mas onde mesmo está o romance? Bom, pelo que entendi na cabeça da personagem que sente prazer em dar prazer, como um forma de sentir-se amada. Assim como na cabeça do personagem que sente o prazer na dor de sua amada.
E assim, se isso influênciará as mentes humanas para as praticas apresentadas no filme e no livro, há um imenso "talvez" a considerarmos, já que não podemos prever o grau de influência diante de tal conteúdo.
Não sou a favor da proibição, mas da informação. É grande o número de casais insatisfeitos sexualmente. Fruto da forma de pensar sobre sexo. Quantos sofrimentos poderiam ser evitados ao repensarmos o modo de entender o sexo? Quantas uniões infelizes pela busca incessante do prazer? Por que aplaudirmos um romance que relaciona poder, sexo e paixão quando sabemos que o ser humano tá precisando aprender a se relacionar? E eu pergunto, por que escolher enriquecer cineastas e escritores que não contribuem para que nos sintamos mais felizes e satisfeitos?
Sem apologia a "papai e mamãe" ou ao termo "fazer amor" que abomino, acredito que um casal possa escolher não sofrer e amadurecer sentindo prazer sendo dono de si, sem imposições doentias.
E assim, minha gente! Quando vamos repensar sobre sermos guiados por modismos, hein?

domingo, 14 de dezembro de 2014

O que significa Natal pra você?

Eu sempre gostei do Papai Noel. E do Natal. E do Presépio. E de ganhar presente. Mas foi ao me tornar adulta, que verdadeiramente compreendi o sentido do Natal: amar o próximo! Parece simples, mas a humanidade tem criado diversos outros sentidos para esse momento. Além do consumismo e o exagero nas festas, há também as frustrações dos que não se sentem incluídos nesse meio.

Tem até uma competição entre o Papai Noel e Jesus! Pra mim, tudo que é exagerado, é nocivo. Conheço pessoas que não presenteiam ninguém nesse período para combater o consumismo. Há também os que não participam das comemorações por não terem uma roupa nova. E há aqueles que confundem natal com carnaval. 

Será que não há como se ter um equilíbrio nisso tudo? Por que os presentes precisam ser caros? Não há nada que podemos dar com carinho? Por que a roupa precisa ser nova? Por que festas tão glamourosas para comemorar a vinda de alguém que tanto falou em simplicidade?  O que Jesus diria a respeito, considerando suas ações quando esteve na terra? 

Sobre a figura do Papai Noel e o pensamento de Jesus, não creio que ele seria tão punido pela ideia de presentear pessoas. Eu já me emocionei com inúmeros filmes que retratam sua história e não o considero o vilão que tomou o lugar do aniversariante. 

Tanto que criei uma historinha com base em alguns fatos considerados reais de acordo com pesquisas na internet sobre a história do Papai Noel:

Um amigo de Jesus

Em um tempo muito distante, ainda no século III, havia pessoas que sofriam por dificuldades financeiras...
Jesus ciente disso pensava em quem enviaria a terra para falar novamente de seus ensinamentos. Lembrou-se de Nicolau que o atendeu prontamente, logo que comunicado, com a missão de relembrar que devemos “amar o próximo como a si mesmo”.

Nicolau nasceu, cresceu e quando adulto tornou-se um homem bom, que ajudava crianças e necessitados. Sempre que alguém passava dificuldades, Nicolau passava e jogava um saquinho com moedas de ouro pelas chaminés e janelas das casas, ajudando quem precisava. Também falava para as pessoas sobre os ensinamentos de Jesus e quando encontrava com religiosos da época, recordava a passagem de Jesus na terra, contidas nos evangelhos.

Depois de concluída a missão, encontrando-se com Jesus, Nicolau pediu uma segunda missão: Continuar ajudando as pessoas mesmo depois de sua partida da terra. E Jesus assim concedeu.

Durante o sonho conversava com as pessoas orientando e ajudando com bons conselhos. Como ele havia partido durante o mês de dezembro, resolveu realizar seu trabalho com o compromisso de lembrar às pessoas a importância da vinda de Jesus, nesse período do ano. Nos sonhos conversava com as pessoas para que praticassem o bem e ajudassem os mais necessitados, além de contar como Jesus nasceu.

Muitos anos depois, um desenhista chamado Thomas acordou com a lembrança de um desses sonhos. Um velhinho gordinho de barba branca, com uma roupa vermelha e um sorriso que inspirava bondade lhe falando da importância de fazermos o bem.

Thomas logo tratou de desenha-lo, o chamando de Papai Noel para que crianças órfãs pudessem sonhar com um papai durante o Natal e receber presentes como Jesus recebeu dos Três Reis Magos ao nascer.

Nicolau e Jesus ficaram muito contentes com a ideia de Thomas e resolveram que Nicolau seria conhecido como Papai Noel, inspirando pessoas a praticar o bem e exercitar o amor sempre no período do Natal. Não apenas para as crianças órfãs, mas ajudando a todos os papais e mamães a terem trabalho para que pudessem presentear suas crianças, algo semelhante ao que vazia na terra, jogando moedas pelas chaminés, reforçando o trecho da oração ensinada por Jesus "...pão nosso de cada dia, dai-nos hj...". 

Ho,ho, ho... Que nesse Natal possamos procurar fazer o bem a alguém, como nos ensinou Jesus!

FELIZ NATAL!!!

Fontes de pesquisa:
Disponível em: http://www.suapesquisa.com/historiadopapainoel.htm acesso em 14/12/2014

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Educação Inclusiva, por quê e para quem?

Para se entender educação inclusiva, é preciso esclarecer que a inclusão não é restrita apenas aos indivíduos com deficiências ou necessidades especiais, mas a todo ser humano que se enquadre no perfil de excluído pela sociedade, seja pela sua classe social, gênero, nacionalidade ou patologia do qual é vítima, dentre outros aspectos, sendo essa concepção o primeiro problema enfrentado por educadores e entidades que atuam com esse fim. A maioria das pessoas desconhecem a abrangência da inclusão.     
 
Considerando as dissociações que separam os indivíduos deficientes e com transtornos do ambiente escolar, podemos entender que trata-se de um outro problema. A falta de informações coerentes,  ausência de conhecimento sobre o diagnóstico de um aluno e estrutura sem acessibilidade também dificultam o trabalho de inclusão, sendo necessário compreender aspectos orgânicos,  cognitivos,  sociais,  emocionais e pedagógicos.
 
É certo que viver em condições de extrema pobreza, acarreta problemas que afetam diversos setores na vida do ser humano, dentre eles as oportunidades de se frequentar uma escola e baixo rendimento de aprendizagem, sendo esse outro obstáculo para uma educação inclusiva satisfatória.
 
Entretanto, o principal desafio da inclusão está no preconceito da sociedade, seguido da descrença na eficácia de tal prática. O medo, as ideias preconcebidas de outras gerações e o juízo por parte do grupo social que se contrapõem aos excluídos é a grande barreira na sociabilização de todos. As características sociais, culturais e emocionais de quem se sente receoso na inclusão de indivíduos intitulados especiais, pobres ou com alguma outra necessidade inclusiva, tornam a proposta da educação inclusiva mais desafiadora do que poderia ser.
 
O desinteresse por parte de instituições e órgãos governamentais também fazem parte dos problemas que afetam o assunto, com a inexistência de políticas educacionais inclusivas, currículos escolares com esse fim e iniciativas que promovam a discussão do assunto. Sobre isso, centralizando no papel da escola, a baixa prioridade de capacitação aos profissionais da educação e o distanciamento entre família e escola, dificulta o alcance de bons resultados para a educação de maneira geral, que dirá sendo a mesma inclusiva.
 
Ciente disso e diante de uma nova dimensão social, criar mecanismos favoráveis no processo de ensino aprendizagem, que contribuam para o desempenho almejado pelos teóricos da educação em uma educação de qualidade para todos, torna-se prioridade em todas as camadas sociais, sendo importante mostrar para a sociedade as desvantagens em se ter indivíduos excluídos, tendo como principal prejuízo o baixo desenvolvimento social e econômico.

Tendo em vista que as desigualdades sociais existentes em todo o mundo vitimizam indivíduos vulneráveis socialmente por condições relacionadas a deficiências físicas, transtornos psicológicos ou pobreza, uma imensa parcela na sociedade é excluída do ambiente escolar. O enfrentamento dessa realidade, leva a crêr que é preciso a extinção das desigualdades para o desenvolvimento econômico, social e emocional, enfatizando nesse último aspecto as questões referentes ao preconceito.
 
O desafio de estabelecer espaços para que esses indivíduos tenham as mesmas oportunidades dos demais, despertam a reflexão para a necessidade de uma transformação dentro do contexto educacional e todos os sistemas de ensino que promovam novas possibilidades humanas e condições mais justas para todos.
 
Sob esse entendimento, é certo que todos os países do mundo, movimentam essa concepção, considerando uma herança histórica dos dilemas que assolaram o planeta, como guerras e escravidão, além da ausência de conhecimento em torno dos transtornos psicológicos e acessibilidade para o deficiente físico. Assim, a escola como principal instituição na responsabilidade de estabelecer a autonomia e o crescimento pessoal, tornou-se o cerne da questão com ênfase na Educação.
 
Nesse sentido, as estratégias pedagógicas defendidas pelo principais teóricos educacionais e suas relações com o mundo moderno, estabelecem um paralelo significativo na proposta de educação inclusiva, com obstáculos e perspectivas de bons resultados para a extinção das desigualdades.
 
As iniciativas para esse caminho, estão em criar elementos que direcionem a prática inclusiva, com novas definições no processo de ensino-aprendizagem, envolvendo instituições governamentais, pedagogos, psicopedagogos, psicológos, psiquiatras, professores, alunos (principalmente crianças), família e todos os profissionais que atuam nas instituições de ensino, desde os colaboradores da limpeza até os administrativos. Cabe a cada indivíduo em contato com outro que esteja dentro do critério de excluído, conhecer a importância de seu papel na transformação de uma nova sociedade.
 
O avanço da Educação, depende de um novo modelo social que fundamenta-se na implementação da reflexão sob o respeito as diferenças, com práticas inclusivas nos estabelecimentos de ensino, que contribuam para o fim das desigualdades sociais, através do desenvolvimento humano.

E que é capaz de promover esse novo modelo social? Todos! Todos aqueles que fazem parte da sociedade, incluindo os próprios excluídos.

Sugestão de leitura: Educação Inclusiva, Contextos Sociais de Peter Mittler